quinta-feira, 21 de junho de 2018

O que é Zona de Fresnel


A Zona de Fresnel é sempre a acusada (junto com a "interferência") dos problemas de comunicação quando se trata de comunicação wireless (sem fio). Porém a maioria dos profissionais que culpam a coitada não sabem ao certo o que ela é ou como ela é definida.



Na verdade, não existe apenas uma, existem infinitas Zonas de Fresnel. Todo mundo ouve falar que "a Zona de Fresnel tem que estar livre", porém quase ninguém sabe que algumas delas ajudam o sinal quando possuem obstáculos.



Neste vídeo explicamos o que é Zona de Fresnel e como usa-la de maneira eficiente para ajudar um enlace de wireless.





quinta-feira, 14 de junho de 2018

O que é um hypervisor?

O conceito de hipervisor (ou hypervisor) existe a muito tempo, desde a década de 70, dentro dos mainframes, que eram os grandes computadores da época (hoje em dia, um smartphone possui muito mais memória e processamento), onde era necessário compartilhar esse equipamento entre vários usuários ou serviços.

Esse conceito voltou a ganhar força no começo deste século graças à necessidade de simplificar o gerenciamento das operações nos servidores e - novamente - permitir a execução simultânea porém totalmente isolada de vários serviços.

Assim a tecnologia de virtualização de servidores é cada vez mais comum nos ambientes de redes e TI e o grande herói dessa história é novamente Hypervisor, que é uma camada de software que criar as máquinas virtuais.

Cada uma dessas máquinas virtuais roda um sistema operacional separado. É possível termos assim em um mesmo servidor virtualizado diversos sistemas operacionais rodando, que podem ser iguais ou não. Podemos reiniciar ou atualizar um sistema operacional sem afetar os demais. Com o uso de virtualização é como se tivéssemos vários servidores dentro de uma máquina, compartilhando processador, memória, disco, rede, etc.

Assim o hypervisor é o software que se instala no servidor. Depois de instalado o hypervisor o administrador pode então criar e gerenciar os diversos sub-servidores e instalar um sistema operacional em cada um.

Nesse vídeo apresentamos, de maneira bastante SIMPLES, como funciona um Hypervisor, onde ele é aplicável e quais as suas vantagens e desvantagens (quando comparado ao uso de diversos servidores físicos).


quinta-feira, 31 de maio de 2018

Porquê incentivar carros elétricos no Brasil ainda é (infelizmente) uma má ideia

Lembro de um episodio da minha infância, quando um tio contou uma daquelas "piada-de-tio". A piada era mais ou menos assim (não lembro as palavras exatas e estou mudando um pouco o tom para torna-la mais PC):

"Um migrante nordestino veio para São Paulo fugido da seca e fica admirado com a disponibilidade de água nas cidades. Ele então compra uma torneira e volta correndo para sua cidade natal. Chegando em sua casa ele correr fixar a torneira na parede, mas quando abre o registro nada acontece e ele fica decepcionado."

Na época, minha irmã, com 4 ou 5 anos, não entende a piada e então meu tio pergunta "por que você acha que não saiu água da torneira?". Ela pensou por um momento e respondeu com um pouco de dúvida no tom de voz "Ele não prendeu direito a torneira na parede?".

Assim como minha irmã não entendia de onde vinha a água (e nem a figura do migrante no chiste do meu tio), muita gente esquece de onde vem a energia elétrica. Ela não vem da tomada, ela vem de uma rede complexa de produção-distribuição. E nossa realidade hoje é que essa rede de produção mal dá conta da demanda básica, e a rede de distribuição está sobrecarregada, o que reduz a sua eficiência.

Assim fico preocupado com a quantidade de pessoas que defende o uso de carro elétricos no Brasil, pensando se tratar de uma opção ecológica, porém esquecendo dos efeitos que irão ocorrer caso adotemos essa tecnologia já, sem a infraestrutura necessária.

Então vou aqui dar resposta a algumas das posições dos defensores dos carros elétricos (ou híbridos) e porque sou contra até que tenhamos resolvidas outras questões.

Pontos a serem considerados

Antes de entrar nos argumentos usados pelos defensores dos carros elétricos, vamos deixar claro algumas realidades:

a) O Brasil não tem energia elétrica sobrando e quando voltar a crescer vai ter, mesmo sem a "ajuda" dos carros elétricos, um déficit grande.
b) se não temos energia elétrica sobrando, temos como construir mais hidroelétricas para cobrir a demanda maior que iria surgir com carros elétricos? Infelizmente não! Praticamente todos os pontos onde havia viabilidade de geração de energia hídrica já são atualmente explorados.
c) temos perspectivas de que a energia eólica ou solar cubra essa demanda? Essas fontes de energia são ótimas promessas, precisamos investir nelas e temos grande potencial natural. Porém temos que ser realistas: as estimativas mais otimistas mostram que o seu uso no máximo vai ajudar a diminuir o déficit

Você pode argumentar que o Brasil deveria investir mais em energias renováveis, que os nossos governos são péssimos, corrupção, inação, etc, etc, etc. Nesse caso você pode parar de ler o texto por aqui, porque já divergimos de maneira irreconciliável nas nossas linhas de raciocínio. Concordo que temos todos esses problemas, mas exatamente por saber que temos esses problemas, na minha opinião, é fantasioso defender o aumento de consumo de energia elétrica (de qualquer forma que seja), considerando que esses problemas vão ser rapidamente resolvidos ou esquecendo que eles existem. O Brasil vai continuar Brasil por muito tempo.

Moral da história: falando realisticamente, a única forma de conseguirmos aumentar, hoje, a nossa oferta de energia elétrica para cobrir uma demanda por uso de carros elétricos, seria aumento o uso de termoelétricas.

Vamos então agora responder aos argumentos usados por aqueles que defendem a adoção imediata e massiva dos carros elétricos no Brasil como sendo uma ideia ecológica e viável.




Argumento 1: A nossa matriz energética é baseada principalmente em hidroelétricas

Esse argumento possui algumas variações, mas normalmente vem acompanhado de estatísticas ou infográficos sobre o fato de sermos um país com uso predominante de energia baseado em hidroelétricas.

Isso é verdade, porém não é esse o ponto. A questão é: onde vamos crescer para gerar mais energia elétrica? Resposta: termoelétricas é a única saída realista de médio e curto prazo.

Argumento 2: Os carros também são fonte de poluição igual as termoelétricas

Esse argumento leva em conta que uma usina termoelétrica é igual a um carro, ou seja, gera poluição igual e consome combustíveis da mesma maneira. O argumento normalmente termina dizendo que, igual por igual, que pelo menos a poluição seja gerada fora das cidades.

Isso nos leva a questão de eficiência energética.

N litros de combustível X (troque X pelo seu combustível preferido) gera Y watts de energia. Vamos pegar um número aleatório, só para facilitar o entendimento:

10 litros de combustível X geram 100W de energia. Vamos ver agora a eficiência dos dois processos: combustão direto no motor ou então na geração-transmissão-armazenamento nos carros elétricos

Motor a combustão

Os motores a combustão (carros convencionais) temos uma eficiência de perto de 30%, então os 100W gerados a cada 10 litros consumidos vão representar 30W uteis para mover o carro. Pronto, simples assim.

Termoelétricas

Em termoelétricas as otimizações e o uso de equipamentos maiores permitem uma maior eficiência, o que  é bom. Então os 100W gerados a cada 10 litros de combustível X vão representar até 45W de energia gerada. Ótimo! Mas ainda temos que transportar, armazenar e gastar novamente no motor elétrico.

Então dos 45W gerados 8W são perdidos na transmissão, mais 8W no armazenamento da bateria (jogar energia dentro da bateria gera perda, todos sabemos que as baterias esquentam quando são carregadas, esse energia térmica vem de algum lugar), o que significa 29W de potência disponível na bateria para cada 10l de combustível X. Um bom motor elétrico tem 90% de eficiência, o que significa que geramos efetivamente 26,1W para cada 10l consumidos.

Esses valores são aproximados e vocês podem usar a sua estatística de preferência, mas a conclusão vai ser a mesma: quanto mais passamos e repassamos a energia, menos eficiente o processo fica.

Então usar termoelétricas para cobrir o aumento de consumo de energia causado por carros elétricos vai aumentar significativamente o consumo de combustíveis e tudo de ruim causado por ele.

https://oilprice.com/Energy/Energy-General/The-Inconvenient-Truth-About-Electric-Vehicles.html

Argumento 3: carros elétricos não consomem quando estão parados e conseguem recarregar baterias nas descidas

Este é uma das principais vantagens dos carros elétricos em relação aos convencionais. Os carros convencionais gastam combustível quando estão parados e nas descidas não conseguem recuperar a energia gasta na subida. Já os carros elétricos não gastam nada quando estão parados e nas descidas conseguem recuperar parte da energia usada na subida (e ainda gastam menos a estrutura de freios nesse processo).

Realmente em situações onde o veículo opera constantemente em situação de congestionamento os carros elétricos conseguem uma grande vantagem. Os carros convencionais no máximo conseguem reduzir o gasto "apagando" alguns cilindros ou usando a técnica de desligar o motor durante as paradas.

O problema é que hoje esse ganho ainda não compensa a perda causada na geração-transmissão (principalmente na rede transmissão nacional, que está sobrecarregada e que com isso acaba tendo uma eficiência menor que nas redes de transmissão dos países mais desenvolvidos).

Argumento 4: carros híbridos não precisam ser carregados

Energia nunca se cria nem se destrói, ela se transforma. As baterias do carro hibrido são carregadas pelo motor a combustão, que vai gastar mais combustível para carrega-las. As pessoas acham que um motor a combustão, por estar rodando, carrega as baterias de graça. Não é assim. O mesmo motor, se não tivesse que carregar as baterias, gastaria menos. É igual ao ar-condicionado do carro: quando ligamos o consumo de combustível aumenta.

Em situação de vias congestionadas, os carros híbridos levam uma vantagem, já que não consomem quando estão parados. Além disso os carros híbridos conseguem reaproveitar a energia durante a descida, o que ainda tem o benefício de reduzir o desgaste dos freios. Então assim, a cada litro de combustível, os carros híbridos conseguem - muitas vezes - gastar menos (e consequentemente emitir menos poluição).

Por outro lado sempre levam uma carga maior de peso morto: se estão em modo elétrico estão "levando" 80 Kg (aproximadamente) de motor a combustão+combustível e se estão em modo combustível estão "levando" 80Kg de motor elétrico+baterias. Então em situações de longos percursos ou alta velocidade, essa vantagem deixa de existir e pode se reverter inclusive em desvantagem.

Além disso existe a discussão sobre o problema do descarte das baterias, que vai ser necessário no futuro. É igual a energia elétrica produzido pelas usinas nucleares: hoje são "quase de graça", mas no futuro vão ser um enorme problema. No entanto entrar nessa análise, para descobrir se a economia de combustível dos carros híbridos é melhor ou pior que os problemas do descarte das baterias ainda é uma discussão aberta em todo mundo.

Existem muitas sim situações em que os carros híbridos vão dar maior Km/l mensal, comparado aos veículos apenas com um motor (apenas elétrico ou apenas combustão), porém existem questões abertas sobre a "ecologicidade" a longo prazo. 

Argumento 5: EUA já tem uma frota considerável de carros elétricos

Os EUA estão literalmente "enfiando o pé na jaca": aproximadamente 80% da energia elétrica lá é gerada usando combustíveis fósseis ou usinas nucleares (60%/20%).

A energia nuclear foi pensada na década de 80 com o argumento "hoje não sabemos o que fazer com os resíduos das usinas nucleares, mas até o ano 2000 já devemos ter a solução". Estamos em 2018 e ninguém tem a mínima ideia do que fazer com as milhares de toneladas de material radiativo, material altamente perigoso e que vai continuar perigoso pelo próximos 500.000 anos (isso mesmo, eles vão ter que "cuidar com cuidado" desse material radiativo por mais meio milhão de anos, quanto vai custar isso?!).

Já a geração de energia elétrica por termoelétricas, como já viemos no Argumento 2, é trocar 6 por 5.

Argumento 6: Se tivéssemos investido em carros elétricos no passado não estaríamos nessa situação

Normalmente os defensores deste argumento lembram que Henry Ford ou Amaral Gurgel no Brasil (entre outros) tentaram investir em carros elétricos, mas por razões X, Y e Z (substituía X, Y e Z pelas suas teorias da conspiração preferidas). Esse argumento tem o tom de "o mundo fez a escolha errada e hoje estamos pagando por isso".

Na minha opinião me parece mais um caso de quem esquece que a eletricidade não vem da tomada.

Se tivéssemos adotado o modelo de veículos primariamente elétrico hoje teríamos um problema enorme de descarte/reciclagem de baterias, um consumo gigantesco de energia elétrica e estaríamos dizendo "Henry Ford e Amaral Gurgel tentarem investir em carros a gasolina, mas por razões X, Y, Z hoje estamos presos aos motores elétricos".

A grama do vizinho é sempre mais verde e galinha dele sempre bota o ovo mais amarelinho. O que não temos experiência tem apenas coisas boas, normalmente não vemos das coisas ruins que elas trariam.

Então qual a solução?

Não acho que existe solução fácil, mas também não acho que adianta apostar em ideias sem base prática. Acredito que precisamos de motores a combustão mais eficientes (vamos proibir ou taxar veículos ineficientes), precisamos de fontes de energia renováveis (mas não adiantar contar com elas antes de saber como e quando serão financiadas) e precisamos gastar menos (você que só anda de carro, já pegou um dia, um zinho só, para andar de transporte público este mês?).

Resumo

Não sou contra carros elétricos, apenas acredito que precisamos antes resolver de maneira clara e certa alguns problemas antes de podermos pensar nisso.

E você? O que você acha?









sábado, 19 de maio de 2018

FreeNAS

A tecnologia de armazenamento de dados em rede está cada vez mais presente nas empresas e corporações de todos os tamanhos, porém essa mesma tecnologia sempre foi difícil e cara de ser estudada, ou seja, um profissional de TI que quisesse aprender mais sobre NAS tinha duas alternativas:
  • investir muito dinheiro em treinamento
  • se tornar funcionário de uma grande empresa ou corporação e conseguir fazer parte do time que cuida dessa área para, lentamente, ir aprendendo.
O FreeNAS é uma maneira de romper com essas limitações, e muito mais.

Tecnologia NAS grátis

Como o próprio nome indica, o FreeNAS é uma iniciativa Open Source que fornece uma solução de NAS. E o resultado é realmente muito bom e tem recebido ótimas avaliações.

O FreeNAS pode não ter todos os recursos das soluções SAN e NAS comerciais, porém possui uma grande quantidade de recursos e se aplica muito bem em diversas aplicações, tanto para testes como para ambiente de produção.

No caso de profissionais querendo aprender mais sobre a tecnologia, o FreeNAS fornece uma solução acessível para desbravar esse conhecimento: basta tem um computador compatível (requisitos de hardware do FreeNAS), que não tem grande exigências, e iniciativa para começar.

No caso de empresas (principalmente pequeno e médio porte) o FreeNAS é uma forma de explorar as aplicações de armazenamento em rede, sem ter que montar algo a partir do zero (por exemplo usando Windows Server ou Ubuntu diretamente) e com a segurança de estar colocando os dados em um sistema testado e confiável para essa aplicação.

O que é um Sistema Operacional de Armazenamento?

O FreeNAS é um  Storage Operating System (Sistema Operacional de Armazenamento) mas o que significa isso? Apenas quer dizer que é um sistema operacional (como o Windows ou Ubuntu) que foi simplificado e otimizado para essa aplicação.

Quando pensamos em um sistema operacional, pensamos em algo genérico, onde eu posso rodar um servidor web, e-mail ou NAS (além de milhares de outras aplicações). Isso dá muita flexibilidade, porém também tem seus problemas, principalmente porque a lista de tarefas do administrador é grande:
  • precisa escolher quais aplicações instalar
  • precisa instalar e otimizar essas aplicações
  • precisa integrar essas aplicações e mante-las funcionando
Em um sistema operacional dedicado, como o FreeNAS é para NAS, o que temos é que um grupo (os desenvolvedores do FreeNAS), já fizeram essas tarefas. Por isso lado isso limita bastante esse sistema operacional: por exemplo, não é recomendável tentar transformar um servidor FreeNAS em um servidor de e-mail. Mas por outro lado significa que todo o processo de configuração e ativação de recursos para NAS é muito mais simples.

Para saber mais

Para conhecer mais sofre o FreeNAS ou para conhecer mais sobre a tecnologia de armazenamento em rede, assista a estes vídeos abaixo.












segunda-feira, 7 de maio de 2018

O que é uma private VLAN

As VLANs são como "ilhas" dentro de um switch: os equipamentos que estão na mesma ilha se conversam, mas equipamentos em ilhas diferentes estão isolados e não conseguem se comunicar (a não ser através de um roteador, que faz uma "ponte" entre as "ilhas"). No entanto existe um tipo de especial de VLAN, que consegue dar mais flexibilidade a esse conceito: são as Private VLANs. Nela mesmo os "moradores" da mesma "ilha" não se falam entre si. Nesse caso, as portas de um switch que estejam na mesma Private VLAN não vão conseguir se comunicar nem entre eles, exceto por algumas portas especiais, que o administrador define. Dessa forma em uma Private VLAN as portas podem ser de três tipos diferentes:
  • Promiscuous Port: essas portas podem falar com todas as demais portas, sejam elas Promiscuous Port, Community Port ou Isolated Port. Dentro do conceito da "ilha", as Promiscuous port seriam o rei e seus ministros, que tem poderes especiais e caminham livremente pela ilha.
  • Community Port: as portas Community falam com todas as portas da mesma Community e com as Promiscuous Port, mas não falam com as portas Isolated nem com as portas de outras Community. Na comparação com a "ilha", as Community Port seriam pequenas vilas, onde todos se falam dentro da vila e também falam com o rei e seus ministros.
  • Isolated Port: elas falam apenas com as Promiscuous Port
Pensando em um exemplo de aplicação, podemos ter um provedor de acesso Internet chegando em um condomínio com um switch Ethernet, conectado ao seu roteador (que dá saída para Internet) e um pequeno servidor (por exemplo para resolver DNS). Os clientes do provedor seriam conectados em portas Isolated, assim um cliente não conseguiria atacar ou atrapalhar outro cliente, o servidor DNS e o roteador ficariam em portas do tipo Promiscuous e assim seria acessíveis por todos os clientes.

Para saber mais

Para mais detalhes  exemplos sobre como funciona uma Private VLAN, assista a nossa série sobre o assunto:



sábado, 5 de maio de 2018

O que é IoT

IoT (Internet of Things, Internet das Coisas) é um termo quem vem sido utilizado de maneira incorreta, e isso tem causado confusão. Como IoT é algo associado a coisas "modernas" o marketing de muitas empresas de tecnologia tem tentando associar seus produtos a esse conceito, porém o efeito ruim  dessa estratégia é confundir as pessoas.

Alguns exemplos de coisas e produtos que NÃO são IoT, mas que vem sendo anunciadas como se fossem:

  • controlar aparelhos eletro-eletrônicos (iluminação, ar-condicionado, portas, etc) via tablet ou celular. Isso é automação residência e automação predial. Ter esse tipo de controle é muito interessante e tem se tornado popular (e cada vez mais acessível), mas ainda assim não é IoT
  • poder monitorar a produção de um equipamento ou produto personalizado. O cenário é apresentado mais ou menos assim: você vai no concessionária de automóveis, escolhe e personaliza seu veículo e depois acompanha, via Internet, a sua produção. Isso também é muito interessante, porém isso e Automação Industrial.
  • poder usar Wi-Fi dentro de transporte coletivo, como ônibus, trens e metrô. Isso também é muito interessante e útil para os passageiros, porém é apenas acesso a Internet.
Existem vários outros exemplos de produtos e serviços sendo anunciados como Internet da Coisas ou sendo parte dessa tecnologia, porém na verdade tem pouca relação.

Então, o que é IoT?

IoT é quando as "coisas" usam a Internet para funcionar ou otimizar a sua função. Alguns exemplos de coisas que são IoT:
  • Um sistema de ar-condicionado que consulta o site previsão do tempo para saber qual a expectativa de temperatura durante o dia. Ele pode então se acomodar de acordo, criando uma sensação de conforto melhor aos usuários ao mesmo tempo economizando energia.
  • Um elevador que avisa a companhia de manutenção que alguma de suas peças está chegando no fim da sua vida útil, assim pode ser feita uma parada programada com boa antecedência. Isso se aplica a qualquer produto ou equipamento que necessite de manutenção regular, como caminhão, avião, escada rolante, etc. 
  • O sistema de controle da companhia de energia elétrica pergunta aos sistemas de automação predial de um bairro qual a previsão de consumo, para controlar melhor a oferta de energia em cada bairro.
Repare que em todos estes casos não existe a presença do ser humano. As "coisas" se falam entre si, via Internet e tomam decisões baseadas nas informação que elas trocam. 

Obviamente um prédio inteligente também será possível de ser controlado via tablet, porém não é essa a tecnologia IoT. A grande diferença entre o IoT verdadeiro e o IoT falso: no IoT verdadeiro a tecnologia é totalmente independente do humanos.

Para saber mais, assista ao nosso vídeo sobre o assunto:



sexta-feira, 27 de abril de 2018

O que são os padrões 2.5GBase-T e 5GBase-T?

O padrão 10GBase-T tem como objetivo servir de upgrade para as redes de 1Gbps em cabos UTP. No entanto esse degrau de 1 para 10Gbps tem alguns problemas:
  • uma eletrônica ainda complexa que encarece os produtos (switches e adaptadores);
  • exige cabeamento Categoria 6a;
  • mesmo em redes com cabos certificados Categoria 6a pode haver problemas em conseguir 10Gbps em distâncias longas (100m);
  • não suporta PoE (um problema para pontos de acesso Wi-Fi que precisam mais de 1Gpbs e alimentação via cabo);
Assim foi criado um padrão intermediário (na verdade, dois padrões intermediários): 2.5GBase-T e 5GBase-T, que como o nome indica fornecem 2,5Gbps e 5Gbps. Eles possem essas especificações de disância e cabeamento:

  • 2.5 Gbit/s até 100 m em cabos Cat 5e
  • 5 Gbit/s até 100 m em cabos Cat 6
Repare que o padrão também permite chegar a 5Gbps em até 100m em alguns cabos Cat. 5e, porém não todos. Isso porque o padrão Cat. 5e não atende sozinho as necessidades do 5Gbps, porém alguns fabricantes de cabeamento tendem a superar o padrão (fornecem cabos melhores que os exigidos pelo padrão) e assim algumas redes Cat. 5e podem, eventualmente, permitir 5Gbps em distâncias de 100m

Esse padrão tem alguns nomes: IEEE 802.3bz, NBASE-T ou MGBASE-T e, fora a maior velocidade de transmissão, tem a mesma forma de instalação e operação das redes 1 gigabit, ou seja, mesmos conectores, manuseio de cabos e até mesmo os switches e placas de redes tem a mesma aparência.

Além disso o 2.5GBase-T e o 5GBase-T permitem PoE, então os fabricantes de switches podem oferecer equipamentos capazes de alimentar, por exemplo, pontos de acesso Wi-Fi. A grande vantagem (em relação ao PoE 1Gpbs para Wi-Fi) é que hoje em dias as redes 802.11ac e superior possuem taxas de transmissão efetivas perto do 500Mbps e alguns pontos de acesso possuem 2 rádios, o que significa que um cabo 1Gbps poderia se tornar um gargalo na comunicação.

Resumo

Os padrões 2.5GBase-T e 5GBase-T vieram para complementar as soluções de rede gigabit, servindo de degrau entre os padrões 1GBase-T e 10GBase-T. Já existem switches disponíveis nessas tecnologias e, pelo fato de usarem cabeamento já instalado, podem ser utilizados na sua configuração máxima imediatamente.